sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma Homenagem!

Imagem retirada do site:
http://www.lovemarks.com/index.php?pageID=20015&lovemarkid=1721


Che Comandante
(Poema de Nicolas Guillén)

Não porque tenhas caído
tua luz é menos alta.
Um cavalo de fogo
sustenta tua escultura guerrilheira
entre o vento e as nuvens da Sierra.
Não porque calado és silêncio.
E não porque te queimem,
porque te ocultem sob a terra,
porque te escondam
em cemitérios, bosques, páramos,
vão impedir que te encontremos,
Che Comandante,
amigo.

Com seus dentes de júbilo
a América do Norte ri. Mas logo
revolve-se em seu leito
de dólares. Coagula-se o riso
em máscara,
e teu grande corpo de metal
sobe, se dissemina
pelas guerrilhas como abelhas,
e teu ancho nome ferido por soldados
ilumina a noite americana
como uma estrela súbita, caída
em meio a uma orgia.
Tu o sabias, Guevara,
mas não o disseste por modéstia,
por não falar de ti mesmo,
Che Comandante,
amigo.

Estás em toda parte. No índio
feito de sonho e cobre. No negro
revolto em espumosa multidão,
no ser petroleiro e salitroso,
no terrível desamparo
da banana, e na grande pampa dos couros,
e no açúcar e no sal e nos cafezais,
tu, móvel estátua de teu sangue como te derrubaram,
vivo, como não te queriam,
Che Comandante,
amigo.

Cuba te sabe de memória. Rosto
de barbas que clareiam. Marfim
e azeitona em pele de santo jovem.
Firme a voz que ordena sem mandar,
que manda companheira, ordena amiga,
terna e dura de chefe camarada.
Vemos-te cada dia ministro,
cada dia soldado, cada dia
gente franca e difícil
cada dia.
E puro como um menino
ou como um homem puro,
Che Comandante,
amigo.

Passas em teu desbotado, roto, esburacado traje
de batalha.
O da selva, como antes foi o da Sierra.
Desnudo, o poderoso peito de fusil e palavra,
de ardente vendaval e lenta rosa.
Não há descanso.

Saúde, Guevara!, ou melhor,
daqui de nossa longínqua América, espera-nos.
Partiremos contigo. Queremos
morrer para viver como tu morreste,
para viver como tu vives,
Che Comandante,
amigo.


(Tradução: Angélica Torres e Glória Cardell)


"Se sentes a dor dos demais como tua mesma dor...terás vivido a solidariedade essencial" (Che Guevara)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um cadiquim de mineiridade


O minêro nasce diferente.

Nasce quetim e assim fica quase toda vida.

Quetim ele come, trabaia, reza e namora...


O minêro se agita mesmo é pra proseá.

E mais agitado fica quando a prosa vira causo,

sabendo que o resultado é uma boa moda de viola

na beira do fogão

ou uma esticadinha no boteco,

pra refrescá a caxola!


Mas logo, logo volta a ficar quieto,

espiando e guardando, no coité das ideia,

cada causo, anedota ou verso bonito,

pra modo de um dia poder usar.


Essa mineiridade é cultivada e matutada

sempre espiando de longe,

cumprimentando de pertim,

saboreando um quejim,

dizendo UAI quando é preciso

e TREM a toda hora...


E o minerim, depois de velho,

desentoca tudo o que aprendeu:

cada causo, cada moda,

cada anedota, verso ou prosa,

pra fazer o que há de mió:

que é contá, cantá e falá

só pelo simples prazer

de ver as criança escutá!


José Mauro

06/04/2011