sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Que Vejo

O que vejo em minha vida
são resquícios de amor
São lembranças sem saída
um vazio corredor

Vejo rostos
Lutas
Sangue
Labuta...

vejo esperança
Amor
Orgulho
Dor...

Vejo tudo
Estrada
Alma
Nada...

Vejo carinho
Amizade
Distância
Dança...

Vejo o que sinto, o que senti
vejo tudo o que passei
Vale a pena o que vivi?
Eu confesso, já não sei...

Jose Mauro de Paula.
18/12/2001.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma Homenagem!

Imagem retirada do site:
http://www.lovemarks.com/index.php?pageID=20015&lovemarkid=1721


Che Comandante
(Poema de Nicolas Guillén)

Não porque tenhas caído
tua luz é menos alta.
Um cavalo de fogo
sustenta tua escultura guerrilheira
entre o vento e as nuvens da Sierra.
Não porque calado és silêncio.
E não porque te queimem,
porque te ocultem sob a terra,
porque te escondam
em cemitérios, bosques, páramos,
vão impedir que te encontremos,
Che Comandante,
amigo.

Com seus dentes de júbilo
a América do Norte ri. Mas logo
revolve-se em seu leito
de dólares. Coagula-se o riso
em máscara,
e teu grande corpo de metal
sobe, se dissemina
pelas guerrilhas como abelhas,
e teu ancho nome ferido por soldados
ilumina a noite americana
como uma estrela súbita, caída
em meio a uma orgia.
Tu o sabias, Guevara,
mas não o disseste por modéstia,
por não falar de ti mesmo,
Che Comandante,
amigo.

Estás em toda parte. No índio
feito de sonho e cobre. No negro
revolto em espumosa multidão,
no ser petroleiro e salitroso,
no terrível desamparo
da banana, e na grande pampa dos couros,
e no açúcar e no sal e nos cafezais,
tu, móvel estátua de teu sangue como te derrubaram,
vivo, como não te queriam,
Che Comandante,
amigo.

Cuba te sabe de memória. Rosto
de barbas que clareiam. Marfim
e azeitona em pele de santo jovem.
Firme a voz que ordena sem mandar,
que manda companheira, ordena amiga,
terna e dura de chefe camarada.
Vemos-te cada dia ministro,
cada dia soldado, cada dia
gente franca e difícil
cada dia.
E puro como um menino
ou como um homem puro,
Che Comandante,
amigo.

Passas em teu desbotado, roto, esburacado traje
de batalha.
O da selva, como antes foi o da Sierra.
Desnudo, o poderoso peito de fusil e palavra,
de ardente vendaval e lenta rosa.
Não há descanso.

Saúde, Guevara!, ou melhor,
daqui de nossa longínqua América, espera-nos.
Partiremos contigo. Queremos
morrer para viver como tu morreste,
para viver como tu vives,
Che Comandante,
amigo.


(Tradução: Angélica Torres e Glória Cardell)


"Se sentes a dor dos demais como tua mesma dor...terás vivido a solidariedade essencial" (Che Guevara)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um cadiquim de mineiridade


O minêro nasce diferente.

Nasce quetim e assim fica quase toda vida.

Quetim ele come, trabaia, reza e namora...


O minêro se agita mesmo é pra proseá.

E mais agitado fica quando a prosa vira causo,

sabendo que o resultado é uma boa moda de viola

na beira do fogão

ou uma esticadinha no boteco,

pra refrescá a caxola!


Mas logo, logo volta a ficar quieto,

espiando e guardando, no coité das ideia,

cada causo, anedota ou verso bonito,

pra modo de um dia poder usar.


Essa mineiridade é cultivada e matutada

sempre espiando de longe,

cumprimentando de pertim,

saboreando um quejim,

dizendo UAI quando é preciso

e TREM a toda hora...


E o minerim, depois de velho,

desentoca tudo o que aprendeu:

cada causo, cada moda,

cada anedota, verso ou prosa,

pra fazer o que há de mió:

que é contá, cantá e falá

só pelo simples prazer

de ver as criança escutá!


José Mauro

06/04/2011