
O minêro nasce diferente.
Nasce quetim e assim fica quase toda vida.
Quetim ele come, trabaia, reza e namora...
O minêro se agita mesmo é pra proseá.
E mais agitado fica quando a prosa vira causo,
sabendo que o resultado é uma boa moda de viola
na beira do fogão
ou uma esticadinha no boteco,
pra refrescá a caxola!
Mas logo, logo volta a ficar quieto,
só espiando e guardando, no coité das ideia,
cada causo, anedota ou verso bonito,
pra modo de um dia poder usar.
Essa mineiridade é cultivada e matutada
sempre espiando de longe,
cumprimentando de pertim,
saboreando um quejim,
dizendo UAI quando é preciso
e TREM a toda hora...
E o minerim, depois de velho,
desentoca tudo o que aprendeu:
cada causo, cada moda,
cada anedota, verso ou prosa,
pra fazer o que há de mió:
que é contá, cantá e falá
só pelo simples prazer
de ver as criança escutá!
José Mauro
06/04/2011